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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PMs são presos acusados de matar homem e ocultar corpo

Dois PMs lotados no 21º BPM (São João de Meriti) foram presos na noite desta quarta-feira, acusados de matar um homem em São João de Meriti e de ocultar o cadáver em Belford Roxo, ambos municípios da Baixada Fluminense, na madrugada do mesmo dia. Eles foram reconhecidos por um outro homem que estava com a vítima. O GPS da viatura apontou que o veículo da PM esteve no local do crime.
O cabo André Luiz Rocha e o soldado Luiz Ricardo Gomes Moura estão presos temporariamente por 72 horas na Unidade Prisional da PM, em Benfica, Zona Norte do Rio. As armas deles, sendo um fuzil, foram apreendidas para serem periciadas. Segundo a Polícia Civil, dois dos três homens abordados tinham passagem por roubo e porte ilegal de arma.
Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Polícia localizou o carro com o corpo carbonizado em Belford Roxo | Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
 
O eletricista Mario da Conceição, de 33 anos, estava em seu Fiat Stilo com outros dois homens quando foi abordado pelo cabo e pelo soldado, por volta das 2h, na Rua Venância Oliveira Santos, em frente ao Shopping 2001, esquina com a Avenida Automóvel Clube, no Centro de Vilar dos Teles, São João de Meriti.
Segundo relato à polícia feito por um dos passageiros do veículo, durante a abordagem foram disparados pelo menos três tiros de fuzis contra o trio. Um deles atingiu Marcio fatalmente. O corpo foi colocado no próprio carro da vítima. Um dos PMs sumiu dirigindo o carro e levando o corpo. O outro amigo deles conseguiu fugir.
A testemunha contou que foi levada para uma cabine da PM próxima a Via Show, às margens Rodovia Presidente Dutra, em São João de Meriti, onde ficou por cerca de uma hora, sendo liberada.
A testemunha reconheceu os PMs à noite na delegacia. O homem que fugiu já foi identificado e passa bem, segundo a Polícia Civil. Ele é aguardado para prestar esclarecimentos. A polícia ainda não sabe em que circuntâncias e o motivo dos PMs abordarem o trio e efetuarem os disparos.
Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Marcos Peralta, delegado adjunto da 64ª DP, e o tenente-coronel Marcelo Rocha, comandante do 21º BPM | Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Pela manhã,  a mulher de Márcio esteve na 64ª DP (São João de Meriti) para comunicar o desaparecimento do marido. A polícia localizou o carro com o corpo carbonizado em Belford Roxo, próximo a fábrica da Bayer, após a realização de diligências.
"A sensação inicialmente é de surpresa com esse tipo de atuação praticada por um subordinado. Mas, a Polícia Militar não vai compactuar com esse tipo de conduta", afirmou o tenente-coronel Marcelo Rocha, comandante do 21º BPM. Ele ressaltou, no entanto, que desde a ciência da comunicação do crime com denúncia da participação de PMs, foram tomadas todas as medidas para localizar e prender os militares acusados.
Ainda de acordo com o oficial, o sistema de GPS da viatura em que os PMs estavam em serviço comprovou que eles estiveram no local do crime. Marcelo Rocha revelou ainda que não há nada na ficha do soldado e do cabo que desabonem a conduta deles na PM até então.
Para o delegado adjunto da 64ª DP, Marcos Peralta, a análise prévia do sistema de ratreamento foi importante. "Ela foi fundamental para entender os fatos narrados pela testemunha. As informações batem com relação ao local do crime", afirmou o delegado, se referindo ao endereço em Vilar dos Teles. Ele confirmou que Márcio e a testemunha têm passagem pela polícia por roubo e porte ilegal de arma.
Ainda segundo Marcos Peralta, a identificação dos dois homens que estavam com Márcio no carro está sendo mantida sob sigilo para não atrapalhar as investigações. A polícia, no entanto, ainda não sabe em que momento se deu a separação dos policiais, quando um deles teria seguido para Belford Roxo no carro da vítima, que posteriormente apareceu carbonizado, e o caminho percorrido.
O cabo e o soldado foram indiciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Eles devem ter a prisão preventida pedida à justiça. A Corregedoria da PM abrirá um processo administrativo nesta quinta-feira para investigar a atuação deles.
Marcos Peralta disse que uma perícia médico-legal mais apurada será feita para constatar se o corpo carbonizado é de Márcio, apesar de todos os indícios. O laudo deve ficar pronto em até 40 dias. Parentes dele deixaram a delegacia no início da madrugada. Eles não quiseram falar com os jonalistas. Um homem que se identificou como Leandro e cunhado de Márcio, se limitou a dizer que a vítima tinha cinco filhos e era trabalhador.